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domingo, 17 de maio de 2009

romance barato

eu tenho essa mania de perseguir (e ser perseguido) por artistas amadores ou desconhecidos - talvez por ser um - mas o motivo não vem ao caso. nessa busca-perseguição ao estilo ouroboros, acabo achando muita coisa sobre amor, claro, e muitas vezes essa palavra é cantada ou declamada.
e a palavra declamada tem um poder completamente distinto, nem mais forte, nem mais fraco do que o da palavra escrita; o que uma perde por não ter múltiplas significações ou por não poder explicitá-las de forma concreta, outra perde sem a reação humana, corpórea, a linguagem revelada por múltiplos canais. quando se trata de amor então, muitas vezes a palavra contradiz ou explicita verdades por trás de seu sentido.
diferentemente do que deixo de notar nos artistas famosos e já massificados (acostumados a falar de amor como se fosse qualquer outro assunto), esses novos artistas ainda têm em si a verdadeira significação do que foi pensado ao compor - e, talvez por isso, sinto uma hesitação, não, uma quebra de sigilo sentimental quando falam uma palavra relacionada diretamente ao amor. um beijo na boca, uma noite de amor, seja o que for.
mas eu nunca antes tinha pensado no que pensei agora há pouco, vendo mais uma produção de um desses artistas. o óbvio de que posso ser eu quem atribui esse poder às palavras dessas pessoas, buscando revelar um desejo íntimo, ainda não encontrado, mas agora possibilitado - o de achar que seja possível uma amizade (ou algo mais) com uma pessoa que, por não ter atingido a fama, ainda tem sua humanidade e ainda tem aquele lampejo de passar com o sentimento rente aos olhos de quem os vê; aquela força de poder escolher em que momento ser artista, em que momento ser pessoa.