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terça-feira, 19 de maio de 2009

oniri[cidade]

uma garrafa vazia
um poema velho em um espaço renegado
dos tempos em que eu ainda
brincava com o espaço
e era tudo que queria ser pra você
meu velho
velho amor

o apartamento ainda é o mesmo
três-zero-dois
a mesma goteira no globo da área
o mesmo café solúvel e o segredo
que não é mais
guardado no papel escondido no quarto
mas eu mudei
demais pra um ano sequer.
pra dois anos sequer.

hoje nem te vejo mais
e meus poemas são outros
mais velhos mais pensados
menos poéticos.
li sobre a iluminura
e me encontrei ali na janela pensando em você.

eu preciso de sol
eu preciso sair e pensar que ainda estou
sem nada mais pra fazer
sem você
quero acordar
e descobrir que ainda posso sentir
ser assim simples
e andar

escrevendo em odisséias e odisseus
hoje
seus.