bewley's café
estaríamos eu, você e o meu irmão,
no apartamento alugado para os estudos, em niterói.
seriam três da manhã
e teríamos a boca seca, o gosto de cerveja
da noite que nós três passamos no bar da cantareira.
você estaria deitada num colchonete
colocado entre a minha cama e a dele,
que agora já estaria levemente roncando,
ao contrário de você, que não conseguiria dormir.
ciente da minha insônia e do calor da noite, diria
entre dentes, num sussurro,
luciano, você tá acordado?
eu rolaria para tentar olhar pra sua face no escuro
e sem sucesso diria que sim e você me chamaria
pra ir pra sala, onde não queríamos que você
fosse dormir, pois o tempo tem poucas dessas extravagâncias
como você vindo dormir com a gente.
levantaríamos com cuidado, lembrando de que não tiramos o
plástico industrial que envolve o colchão.
eu te ofereceria um chá, ou um café solúvel
mas você somente sentaria no chão
me ignorando.
eu traria duas canecas fumegantes, você pediria
que eu apagasse as luzes.
eu colocaria uma música que você desconhece,
um instrumental de violão de um autor japonês,
e, na leve luz azul do painel do som
eu te acharia. ficaríamos os dois no chão,
lado a lado, canecas vazias, vazio de palavras,
somente ouvindo as notas que descrevem em sentimento
tudo que espero de um novo amor.
você acariciaria minha mão
e, exausta como eu,
apoiaria a cabeça no meu ombro, olhos fechados.
assim dormiríamos,
e assim que esse pensamento parou de passar na mente insone,
me levantei da cama, tonto com a visão
desse lindo universo paralelo e oposto ao meu,
e ouvindo a nossa música da terra do sol nascente
criei a história do nascimento de nós dois
ao nascer do sol.
no apartamento alugado para os estudos, em niterói.
seriam três da manhã
e teríamos a boca seca, o gosto de cerveja
da noite que nós três passamos no bar da cantareira.
você estaria deitada num colchonete
colocado entre a minha cama e a dele,
que agora já estaria levemente roncando,
ao contrário de você, que não conseguiria dormir.
ciente da minha insônia e do calor da noite, diria
entre dentes, num sussurro,
luciano, você tá acordado?
eu rolaria para tentar olhar pra sua face no escuro
e sem sucesso diria que sim e você me chamaria
pra ir pra sala, onde não queríamos que você
fosse dormir, pois o tempo tem poucas dessas extravagâncias
como você vindo dormir com a gente.
levantaríamos com cuidado, lembrando de que não tiramos o
plástico industrial que envolve o colchão.
eu te ofereceria um chá, ou um café solúvel
mas você somente sentaria no chão
me ignorando.
eu traria duas canecas fumegantes, você pediria
que eu apagasse as luzes.
eu colocaria uma música que você desconhece,
um instrumental de violão de um autor japonês,
e, na leve luz azul do painel do som
eu te acharia. ficaríamos os dois no chão,
lado a lado, canecas vazias, vazio de palavras,
somente ouvindo as notas que descrevem em sentimento
tudo que espero de um novo amor.
você acariciaria minha mão
e, exausta como eu,
apoiaria a cabeça no meu ombro, olhos fechados.
assim dormiríamos,
e assim que esse pensamento parou de passar na mente insone,
me levantei da cama, tonto com a visão
desse lindo universo paralelo e oposto ao meu,
e ouvindo a nossa música da terra do sol nascente
criei a história do nascimento de nós dois
ao nascer do sol.