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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

não é uma reclamação

as pessoas já foram mais carinhosas comigo. falo sobre as que cresceram comigo, porque é óbvio que, quando eu era mais novo, tinha ainda aquela aura de criança. falo sobre aqueles que me viram sempre como igual. reli há umas semanas uma carta de uma mulher(que ainda não era mulher na época) com quem conversei esses dias. era tão doce, tão sem pesar, tão despreocupada.
não sei se fui eu que deixei de ser assim carinhoso ou se a gente simplesmente perde a capacidade de ligar pra certas coisas quando ficamos mais adultos; mas acho que sempre fui carinhoso, da minha maneira, e também penso que continuo assim. e se for pelas coisas pequenas, eu ainda gosto delas; brincadeiras, cartas, músicas e relações desinteressadas.
mas tudo se revela carregado de interesse e finalidade; não há mais espaço para rir em vão, tudo que é despreocupado é infantil, gasto desnecessário de tempo útil. ou então é algo totalmente solitário e nostálgico, como jogar video-game ou assistir sessão da tarde.
todo futebol tem cerveja e todo afeto tem um reflexo. todo carinho tem repercussão e todo silêncio gera um eco. tudo é bukowski. tudo é churrasco. tudo é classificável. o mecanismo da amizade. a matemática dos amantes.
eu ouço legião urbana e volto pros meus 12 anos.