ao timoneiro de paulinho da viola
não tenho muito medo do futuro. quando eu tinha 14 anos, tudo bem, eu tinha. minha vida já era toda planejada, do fim do colégio ao doutorado, não em detalhes como lugares ou carreiras específicas - afinal, até um qualquer de 14 anos sabe que não dá pra planejar isso tudo (somente o tempo nós podemos planejar, com clima sujeito a mudanças repentinas na direção dos ventos). mas mentiria se dissesse que não planejei os detalhes por saber que não podia; foi por preguiça de tentar. enfim, o que eu queria um futuro delineado, e ali o tinha - aos dezessete sairia do colégio, faria uma faculdade em cinco anos, mais oito em mestrado e doutorado. aos trinta, bem, lá eu veria o que poderia fazer. o futuro à prova de falhas.
eu tinha medo, não queria minha vida jogada fora. foi só aos 17, pouco antes de sair do colégio, que percebi que seria jogá-la fora se eu a tivesse toda comprometida e vivida, previamente calculada, mesmo que as variáveis, poucas, ainda estivessem presentes. a vida normal é só uma vida; isso deve estar num livro de auto-ajuda qualquer, mas tomo como verdade neste princípio. o que queria ser da vida, então, era ser artista, por mais confuso que fosse (o caos era a razão dessa escolha). teria, sim, uma faculdade como plano b, uma vida genérica de step. em caso de incêndio, quebraria o vidro e, ironicamente, teria uma vida regrada, pronta, em mãos, como pipoca de microondas (ao contrário do vidro, coitado, em pedaços no chão, e do sangue fluindo em vários pontos abertos na mão).
não planejei minha vida desde então; hão de dizer que é por ser jovem, mas quem leu até aqui percebeu o quanto adulto já fui e o quanto jovem me tornei, jovem por ser maduro. não digo que não penso no futuro - pelo contrário, meu cérebro teima em fantasiar com quaisquer encontros aleatórios que poderia ter ou celebrações cujos méritos não ouso buscar. mas não acho que seja pela juventude ou pelo juventude tardia de minha parte que dou minha vida ao acaso. não a planejo por descobrir que os planos apenas foram feitos pra serem mudados.
eu tinha medo, não queria minha vida jogada fora. foi só aos 17, pouco antes de sair do colégio, que percebi que seria jogá-la fora se eu a tivesse toda comprometida e vivida, previamente calculada, mesmo que as variáveis, poucas, ainda estivessem presentes. a vida normal é só uma vida; isso deve estar num livro de auto-ajuda qualquer, mas tomo como verdade neste princípio. o que queria ser da vida, então, era ser artista, por mais confuso que fosse (o caos era a razão dessa escolha). teria, sim, uma faculdade como plano b, uma vida genérica de step. em caso de incêndio, quebraria o vidro e, ironicamente, teria uma vida regrada, pronta, em mãos, como pipoca de microondas (ao contrário do vidro, coitado, em pedaços no chão, e do sangue fluindo em vários pontos abertos na mão).
não planejei minha vida desde então; hão de dizer que é por ser jovem, mas quem leu até aqui percebeu o quanto adulto já fui e o quanto jovem me tornei, jovem por ser maduro. não digo que não penso no futuro - pelo contrário, meu cérebro teima em fantasiar com quaisquer encontros aleatórios que poderia ter ou celebrações cujos méritos não ouso buscar. mas não acho que seja pela juventude ou pelo juventude tardia de minha parte que dou minha vida ao acaso. não a planejo por descobrir que os planos apenas foram feitos pra serem mudados.