teorizando sobre os baladeiros
quem não quer saber de filosofia de boteco, que esqueça esse post. na verdade, qualquer um que seja sensato o suficiente, que esqueça esse post, é totalmente inútil. são teorias imbecis sobre um assunto totalmente imbecil.
depois não diga que não avisei.
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eu tava conversando com a cès, tentando provar meu ponto de vista, dizendo que eu não acredito que haja um pingo de século XIX no que tange o amor na grande maioria das pessoas da nossa geração. ou então que esse pingo de romantismo seja totalmente dominado pelo hedonismo ao ponto de causar uma contradição aparente, mas que não é verdadeira.
mas eu tô aqui pra falar dum outro lado. eu tomei como exemplo uma entrevista que vi com uma mulher a balada dizendo que não achava que a balada era lugar de arranjar alguém pra namorar sério, mas que mesmo assim queria namorar alguém seriamente, daí eu disse que isso era uma contradição, aquela contradição aparente que citei. ela diz que eu sou muito determinista quando digo que todos que vão pra balada querem pegação ou não sabem o que querem, mas não querem se dar o trabalho de pensar sobre o assunto. eu disse pra ela que esse determinismo era totalmente justificável, mas que dava um papo muito longo. ela disse que era preu escrever um texto, eu achei que a melhor maneira era botar o texto aqui certo?
então lá vai. e aviso que só sei raciocinar direito usando exemplos.
vamos partir da premissa de que uma pessoa só vai pra balada pra dançar. mas tenha "dançar" como "qualquer coisa que não seja pegação". mas se ela vai pra balada, ela não vai sozinha. ninguém vai pra balada sozinho. então, pensando nela como uma mulher, ela vai, geralmente, com as amigas que gostam de dançar ou de pegar homens, ou seja lá o que for.
antes de tudo, só o fato de ela ir pra balada já tira as chances de arranjar um namoro sério e honesto. e, ao ir pra balada, ela já fica conhecida no seu círculo social como "uma das pessoas que vai pra balada", o que tira ainda mais a chance. mas botemos isso de lado e continuemos com o raciocínio das amigas.
ela vai pra balada com as amigas. mas, como em qualquer círculo social, que temos certeza que ela tem mais de um, ela não quer ficar só nas amigas. ela quer conhecer mais gente, e, normalmente, acaba conhecendo amigos das amigas. amigos homens e amigas mulheres.
pensando que ela seria, supostamente, hetero, vamos ignorar as amigas. então, amigos de amigas. amigos de amigas baladeiras. a possibilidade de achar alguém que não quer pegação e que seja realmente uma pessoa séria que queira um namoro sério é ridiculamente pequena. o que nos leva a concluir que, pelo menos nesse círculo social, ela provavelmente não vai achar ninguém pra namorar seriamente.
agora joguemos esse raciocínio todo no lixo e vamos pro princípio novamente. uma mulher que gosta de ir pra balada dançar, mas que quer um namoro sério. se ela quer um namoro sério, ela não é uma qualquer, ela tem gostos, ela tem afetos, ela tem outros lugares que gosta de ir. não importa muito pra onde ela gosta de ir; se é um show de rock ou uma livraria, ou um museu, ou uma praia, ou pro baile funk (ok, ignoremos esse último pelo fato de ter o mesmo tom amoroso que as baladas; talvez menos). presumindo que a balada é um dos piores lugares pra se achar alguém pra um namoro sério, todos os outros lugares seriam, então, mais suscetíveis a tais encontros.
então, se essa pessoa pensar um pouco (já excluímos os que não se dão o trabalho de pensar lá em cima), ela vai perceber que ir pra balada é besteira (quando tratamos de amor) e que se ela quer um namoro sério, é mais fácil encontrar nos outros lugares que gosta de ir (ou que é obrigada a ir, claro, mas isso não entra na argumentação, obviamente).
se ela acha besteira ir pra balada pra isso, ela iria pensar que ela só deve ir pra balada quando realmente quiser ir dançar ou sair com as amigas desse círculo social. e se ela pensar mais um pouquinho, ela vai perceber que ir na balada, digamos, toda semana vai fazer com que ela seja taxada de baladeira, o que tira ainda mais as chances de encontrar alguém sério, já que, normalmente, as pessoas julgam pela impressão que têm de fora, sem querer saber de motivos ou explicações.
por fim, eu sou levado a crer que quem realmente quer um namoro sério, que não deixa seu romantismo (pingo de século XIX) ser dominado pelo hedonismo e que pensa um mínimo a respeito das repercussões de um círculo social nos demais, não vai ir pra balada toda semana e vai achar alguém pra namorar sério mais rápido do que as que deixam ao sabor do acaso.
fim.
depois não diga que não avisei.
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eu tava conversando com a cès, tentando provar meu ponto de vista, dizendo que eu não acredito que haja um pingo de século XIX no que tange o amor na grande maioria das pessoas da nossa geração. ou então que esse pingo de romantismo seja totalmente dominado pelo hedonismo ao ponto de causar uma contradição aparente, mas que não é verdadeira.
mas eu tô aqui pra falar dum outro lado. eu tomei como exemplo uma entrevista que vi com uma mulher a balada dizendo que não achava que a balada era lugar de arranjar alguém pra namorar sério, mas que mesmo assim queria namorar alguém seriamente, daí eu disse que isso era uma contradição, aquela contradição aparente que citei. ela diz que eu sou muito determinista quando digo que todos que vão pra balada querem pegação ou não sabem o que querem, mas não querem se dar o trabalho de pensar sobre o assunto. eu disse pra ela que esse determinismo era totalmente justificável, mas que dava um papo muito longo. ela disse que era preu escrever um texto, eu achei que a melhor maneira era botar o texto aqui certo?
então lá vai. e aviso que só sei raciocinar direito usando exemplos.
vamos partir da premissa de que uma pessoa só vai pra balada pra dançar. mas tenha "dançar" como "qualquer coisa que não seja pegação". mas se ela vai pra balada, ela não vai sozinha. ninguém vai pra balada sozinho. então, pensando nela como uma mulher, ela vai, geralmente, com as amigas que gostam de dançar ou de pegar homens, ou seja lá o que for.
antes de tudo, só o fato de ela ir pra balada já tira as chances de arranjar um namoro sério e honesto. e, ao ir pra balada, ela já fica conhecida no seu círculo social como "uma das pessoas que vai pra balada", o que tira ainda mais a chance. mas botemos isso de lado e continuemos com o raciocínio das amigas.
ela vai pra balada com as amigas. mas, como em qualquer círculo social, que temos certeza que ela tem mais de um, ela não quer ficar só nas amigas. ela quer conhecer mais gente, e, normalmente, acaba conhecendo amigos das amigas. amigos homens e amigas mulheres.
pensando que ela seria, supostamente, hetero, vamos ignorar as amigas. então, amigos de amigas. amigos de amigas baladeiras. a possibilidade de achar alguém que não quer pegação e que seja realmente uma pessoa séria que queira um namoro sério é ridiculamente pequena. o que nos leva a concluir que, pelo menos nesse círculo social, ela provavelmente não vai achar ninguém pra namorar seriamente.
agora joguemos esse raciocínio todo no lixo e vamos pro princípio novamente. uma mulher que gosta de ir pra balada dançar, mas que quer um namoro sério. se ela quer um namoro sério, ela não é uma qualquer, ela tem gostos, ela tem afetos, ela tem outros lugares que gosta de ir. não importa muito pra onde ela gosta de ir; se é um show de rock ou uma livraria, ou um museu, ou uma praia, ou pro baile funk (ok, ignoremos esse último pelo fato de ter o mesmo tom amoroso que as baladas; talvez menos). presumindo que a balada é um dos piores lugares pra se achar alguém pra um namoro sério, todos os outros lugares seriam, então, mais suscetíveis a tais encontros.
então, se essa pessoa pensar um pouco (já excluímos os que não se dão o trabalho de pensar lá em cima), ela vai perceber que ir pra balada é besteira (quando tratamos de amor) e que se ela quer um namoro sério, é mais fácil encontrar nos outros lugares que gosta de ir (ou que é obrigada a ir, claro, mas isso não entra na argumentação, obviamente).
se ela acha besteira ir pra balada pra isso, ela iria pensar que ela só deve ir pra balada quando realmente quiser ir dançar ou sair com as amigas desse círculo social. e se ela pensar mais um pouquinho, ela vai perceber que ir na balada, digamos, toda semana vai fazer com que ela seja taxada de baladeira, o que tira ainda mais as chances de encontrar alguém sério, já que, normalmente, as pessoas julgam pela impressão que têm de fora, sem querer saber de motivos ou explicações.
por fim, eu sou levado a crer que quem realmente quer um namoro sério, que não deixa seu romantismo (pingo de século XIX) ser dominado pelo hedonismo e que pensa um mínimo a respeito das repercussões de um círculo social nos demais, não vai ir pra balada toda semana e vai achar alguém pra namorar sério mais rápido do que as que deixam ao sabor do acaso.
fim.