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quinta-feira, 12 de junho de 2008

junho

para julia


sonâmbulos
meus pés seguem
sem saber o peso do caminho que escolhem;
apenas andam

cada degrau
passo a passo
mais intensidade vai somando ao sentimento
mas também há angústia
na escuridão
não declarada

já as mãos
elas parecem prever
a doçura do que está por vir
enquanto os ecos dos passos
passam de ecos
pra passos (duplos, sangüíneos)
no espaço

reúno então o que me resta da coragem
e abrindo os olhos nesse topo de montanha
vejo outros olhos, também seus
sua mão com a minha

dois
e a beira do abismo

mas não sinto mais
aquela vontade inseparável e pessimista
de me jogar
aqui do alto

porque me jogar
aqui
de cima
amor
seria
suicídio.