1989
abrindo uma agenda perdida
perfeita pra escrever poemas
dou de cara com aquela letra redonda
de quando eu era só um garotinho
raquítico e branquelo
da quarta série
do colégio nossa senhora das dores.
folheio e admiro
como no último segundo de vida
a passagem do tempo
na doce mudança
de caligrafia.
no jeito em que aquele desenhava
pessoas em grafite
sem rostos.
mas o tempo não passa constante
como se espera das páginas numeradas da agenda
com fases de lua e calendários no pé de cada página
pois esta agenda já perdeu a capa
a tinta
a alma
como se espera de alguém
que a tanto tempo
pinta auto-retratos
sem rosto.
perfeita pra escrever poemas
dou de cara com aquela letra redonda
de quando eu era só um garotinho
raquítico e branquelo
da quarta série
do colégio nossa senhora das dores.
folheio e admiro
como no último segundo de vida
a passagem do tempo
na doce mudança
de caligrafia.
no jeito em que aquele desenhava
pessoas em grafite
sem rostos.
mas o tempo não passa constante
como se espera das páginas numeradas da agenda
com fases de lua e calendários no pé de cada página
pois esta agenda já perdeu a capa
a tinta
a alma
como se espera de alguém
que a tanto tempo
pinta auto-retratos
sem rosto.