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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

fevereiro

entre as luzes cruas do
falso poste atrás
das cinzas persianas desbotadas

ele permanece ali sentado
dor nas pernas, mas ainda
a caneta como um dedo
indicando o caminho mais curto

          e os olhos que só desejam
               poderem ler no escuro.

seu nariz ainda julga sentir
naquele não-cheiro da chuva
          o cheiro dos cabelos
          esquecido nas noites de chuva

isso é sentimento de poeta
               ela disse
     então você também sente;
diz por que fica só nisso?

agora eu e ele somos um
sou poeta, sou desejo,
e chuva, sangue e lágrimas se juntam
pingando na luz crua e refletida da manhã.