à pele e sangue
toda vez que passo na frente de uma papelaria, quase não resisto à vontade incompreensível de entrar. e quando entro então, é nessa parte que eu definitivamente não resisto, tenho que comprar alguma coisa. não importa muito exatamente o que seja; canetas ou papéis, blocos, marca-textos, cadernetas, o que for; eu tenho que comprar.
e isso não é um simples desejo consumista de precisar comprar pra me sentir bem - pelo contrário, o que compro de novo muitas vezes me traz à terrível realidade de querer utilizá-las, junto com a perfeita visão de que nunca conseguirei cobrir de tinta tantas mil páginas em branco.
não é porque não quero, pois isso é natural em mim. é pelo fato de eu não ter o que é necessário para tal feito. o vocabulário eu já tenho em meus plenos dezoito anos de vista cansada e afiada. a criatividade, essa disseram que eu sempre tive, mas que sempre a direcionei ao humor, voluntário ou não; mas não importa, se eu a tenho e a controlo hoje.
também não é porque as canetas, gosto das não-esferográficas, acabam estourando com o tempo, como todo produto made in china; eu sempre disse que a escrita é a única arte completamente grátis, por não precisar de nada para praticá-la (mesmo à pele e sangue pode-se praticar indefinidamente). até a preguiça, eterna companheira, se rende nas horas nanquim - e, pior, é substituída por sua irmâ gêmea e oposta, a insônia; isso explica o porquê de serem oito da manhã e meus olhos, reclamantes, teimam em deixar livres as incontáveis ovelhas-pensamentos.
penso que não é por falta de vivência; muitos autores renomadíssimos, como castro alves, já faziam epopéias com a minha idade. não que eu me compare com um romântico de segunda geração (e nem pretendo ser presunto aos vinte e um), mas acho que o argumento é válido por ser baseado em fatos.
por fim, concluo que é a falta de - como posso chamar isso sem ser mal interpretado? - motivo. motivo? motivo eu tenho até demais. aliás, somente querer escrever já é motivo bastante.
então, de que mais é feito o verdadeiro poeta? eu tenho tinta, eu tenho papel, eu tenho criatividade, palavras, vivências e motivos. qual seria o elemento x para que eu vire um menino super-poderoso, se até a melancolia diária eu tenho?
sento na frente de uma página em branco e escrevo.
e isso não é um simples desejo consumista de precisar comprar pra me sentir bem - pelo contrário, o que compro de novo muitas vezes me traz à terrível realidade de querer utilizá-las, junto com a perfeita visão de que nunca conseguirei cobrir de tinta tantas mil páginas em branco.
não é porque não quero, pois isso é natural em mim. é pelo fato de eu não ter o que é necessário para tal feito. o vocabulário eu já tenho em meus plenos dezoito anos de vista cansada e afiada. a criatividade, essa disseram que eu sempre tive, mas que sempre a direcionei ao humor, voluntário ou não; mas não importa, se eu a tenho e a controlo hoje.
também não é porque as canetas, gosto das não-esferográficas, acabam estourando com o tempo, como todo produto made in china; eu sempre disse que a escrita é a única arte completamente grátis, por não precisar de nada para praticá-la (mesmo à pele e sangue pode-se praticar indefinidamente). até a preguiça, eterna companheira, se rende nas horas nanquim - e, pior, é substituída por sua irmâ gêmea e oposta, a insônia; isso explica o porquê de serem oito da manhã e meus olhos, reclamantes, teimam em deixar livres as incontáveis ovelhas-pensamentos.
penso que não é por falta de vivência; muitos autores renomadíssimos, como castro alves, já faziam epopéias com a minha idade. não que eu me compare com um romântico de segunda geração (e nem pretendo ser presunto aos vinte e um), mas acho que o argumento é válido por ser baseado em fatos.
por fim, concluo que é a falta de - como posso chamar isso sem ser mal interpretado? - motivo. motivo? motivo eu tenho até demais. aliás, somente querer escrever já é motivo bastante.
então, de que mais é feito o verdadeiro poeta? eu tenho tinta, eu tenho papel, eu tenho criatividade, palavras, vivências e motivos. qual seria o elemento x para que eu vire um menino super-poderoso, se até a melancolia diária eu tenho?
sento na frente de uma página em branco e escrevo.