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domingo, 13 de janeiro de 2008

desvio

um dia desses eu fui ao ortopedista, me queixando de coisas chatas indescritíveis na coluna que achei que era desvio ou algo assim, mas não era. foi, provavelmente, a consulta mais rápida da minha vida. cheguei lá, apertei a mão do médico, disse o que se sucedia, ele pediu preu tirar a camisa, deu umas apalpadas na minha coluna e disse que eu não tinha nada além de atrofia dos músculos de sustentação das costas. fiquei super feliz com a revelação. mas fiquei feliz mesmo foi agora, por lembrar, lendo um texto dela, que eu teria que fazer natação. preciso de natação ou você vai ficar torto igual anzol, disse o doutor.
não que isso seja bom. gosto de natação, sim, mas nem no verão esse lugar fica bom pra nadar. fri-o-burgo tem o nome que merece. mas o que me deixou feliz foi de lembrar que eu já fiz natação, de que eu era uma criança feliz. eu nadava, hmm, não lembro quanto por dia, acho que um quilômetro ou mais, não estou certo. o que interessa é que eu era feliz e não sabia.
eu usava um roupão branco com estampa de ursinho e dava vontade de ficar vestindo aquilo o dia inteiro, o que não acontecia com a toca de borracha e com a sunga, óbvio. então eu chegava, tirava o roupão e ia nadar naquela água hiperclorada, mas eu não me importava. eu nadava bem, fato, mas eu não me importava. na verdade eu não me importava com absolutamente nada.
e agora, crescido, tudo que me importa é virar aquela criança de novo, pra nunca mais ter que me importar com alguma coisa novamente.